Com a entrega do Dunas do Litoral, em São Luís (MA), no último dia 15 de abril, a MRV Engenharia dá continuidade ao seu projeto de construir condomínios do programa Minha Casa Minha Vida com sistemas fotovoltaicos. Para este ano, a intenção é lançar 150 empreendimentos. De acordo com Luis Henrique Capanema, gestor executivo de suprimentos da MRV, a expectativa é que até 2022 todos os projetos MCMV sejam lançados já com o sistema. “Vamos entregar vários empreendimentos, já temos boa parte lançados e outros na fila de lançamentos”, explica.

Em 2017, a Agência CanalEnergia já havia revelado a intenção da construtora em oferecer condomínios já dotados com os sistemas. Na ocasião o CEO da empresa, Rafael Menin, prometeu R$ 800 milhões em investimentos nesse tema nos próximos anos visando dar mais sustentabilidade aos projetos. Segundo Capanema, os condomínios da MRV oferecem duas possibilidades de geração distribuída: uma em que a geração é usada apenas para suprir o consumo das áreas comuns do empreendimento, como piscina e quadras esportivas e outro no modo completo, em que além das áreas comuns os moradores também se beneficiam, recebendo parcelas iguais de créditos. Esse tipo de GD – que se enquadra na categoria de Empreendimento com Múltiplas Unidades Consumidoras – é mais complexo, uma vez que depende de condições técnicas para a instalação de maior porte.

Ainda de acordo com o gestor da MRV, o primeiro condomínio com a geração completa e EMUC já ligado é o Spazio Parthenon, em Belo Horizonte (MG). A Usina do condomínio tem uma potência de 437,25 kWp, o que equivale a uma geração de energia mensal de 52.800 kWh. Os moradores devem começar a receber os créditos já no próximo mês, após o aval da Cemig. O executivo conta que a empresa planeja uma campanha de esclarecimento sobre o tema, já que a geração fotovoltaica distribuída solar ainda é muito nova no país. “É um desafio não só esclarecer o que é a energia fotovoltaica, mas também quais são os benefícios, de modo que o comprador do apartamento saiba exatamente que tipo de benefício ele está ganhando na compra do apartamento”, observa Capanema.

Em 2017, a tecnologia foi aplicada em 30% das unidades habitacionais lançadas pela MRV. O ideal para a construtora é que nos empreendimentos em que a GD seja para o condomínio, a economia nas contas de energia seja revertida em uma reserva de caixa para melhoras para o próprio empreendimento e não em uma simples redução da taxa condominial. Ele dá como exemplo pintura de fachadas, melhorias no salão de festa  e no Espaço Kids. “A ideia é que daqui a alguns anos, o empreendimento esteja muito bem cuidado, ficando sempre bem organizado, mantido”, aponta.

A instalação dos sistemas, um dos pontos de maior preocupação do setor fotovoltaico, também merece atenção da construtora. Ela preferiu ter poucos fornecedores, porém bem capacitados e aptos a imprimir uma padronização para os projetos. “Trabalhamos com uma quantidade menor de fornecedores, estamos fortalecendo muitas parcerias com poucas empresas no Brasil todo, de modo a ter atendimento com segurança, qualidade e padronizado”, avisa. Esse movimento das construtoras ainda está tímido no país, mas a tendência é que ele ganhe força, impulsionado pela queda nos preços das placas fotovoltaicas. Alguns projetos, de poder aquisitivo maior que os do MCMV já estão sendo oferecidos. O aumento nos custos que a instalação dos equipamentos traz também tem inibido iniciativas do mercado. “Acredito que as construtoras vão caminhar nessa linha, até porque a MRV é um indutor de mudanças no setor, mas a expectativa é que isso ganhe uma proporção maior”, conclui Capanema.


Fonte: Canal Energia